Continuando o embalo, hoje o assunto é sobre a tão falada fixação dos perfumes. Para os que são leigos no assunto,  nada mais é do que o tempo que aroma dura na sua pele.

No post passado eu comentei com vocês que a concentração da essência era um dos fatores que influenciava na fixação. Recapitulando, quanto maior a porcentagem, maior será a fixação. Se fizerem um teste numa folha, por exemplo, vão comprovar essa afirmação. Mas lembra que a gente aprendia desde o colégio que quase toda regra tem exceção? Aqui não é diferente. Acontece que a gente usa o perfume na pele e ela é muito complexa do ponto de vista químico. Se, por exemplo, você tem uma pele oleosa, a tendência é a fragrância se mostrar mais intensa e durável. Já uma pele seca terá dificuldades de segurar o aroma. Além do tipo, o ph (ou acidez) de sua pele também é um dos motivos que fazem as notas de composição de um perfume durar mais ou menos.

Já perceberam então que não tem nada a ver a associação que muita gente faz: se tem fixação fraca, a qualidade do perfume é ruim. Inclusive, escuto muita gente fazendo essa relação com perfume brasileiro, falando que não presta e por aí vai. Vamos, então, botar os devidos pingos no i.

Além de tudo o que eu já falei, o clima/temperatura ambiente também tem o seu poder de fazer a fixação mudar. Acontece que se comparado a um dia frio, quando se está mais quente as moléculas do perfume evaporam mais rápido (ou seja, duram menos na pele), mas em compensação a intensidade do aroma é bem maior. E foi pensando nisso que as indústrias de perfumes brasileiros tiveram de adequar os perfumes para a nossa realidade. Como no nosso país quase o ano inteiro é quente, nada mais lógico do que optarem por perfumes eau de toilette, para que nessa evaporação ágil o aroma não ficasse tão forte a ponto de se tornar enjoativo. Mas como consequência, a fixação fica mais comprometida ainda.

Agora, existe uma outra explicação que é muito frequente, mas que na verdade não é uma causa. Acontece que muita gente se queixa do perfume ter sumido completamente em poucas horas, mas ele ainda continua firme e forte lá. Antes de brigarem comigo achando que eu não acredito em vocês ou então que to chamando vocês de malucas, a culpa é da fadiga olfativa. Não querendo entrar em termos anatômicos e científicos, resumo que a gente acaba se acostumando com o aroma do perfume e daí temos a falsa ideia de que o perfume desapareceu. Antes de sentar o dedo no borrifador, pergunte para alguém que não estava no mesmo ambiente que você se ele/ela ainda sente a fragrância.

Qual a conclusão? A fixação é uma caixinha de surpresas! A gente nunca tem como garantir como será na pele de cada pessoa. Mas é claro que sempre existe algum truque para ajudar. Aplicar um hidratante do perfume correspondente ou então um sem cheiro (pode ser óleo também) logo após o banho – com a pele seca mas ainda morna – ou então alguns minutos antes de usar o perfume melhora demais a duração do mesmo na sua pele. E se ainda assim não fizer muita diferença, a solução é dar uma borrifada na sua roupa (de longe para não manchá-la) ou nos cabelos, onde a complexidade da química é muito menor.

Qualquer dúvida é só falar 🙂

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